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As
poetisas fogosas
Duas
poetisas em dinâmica
fogosa,
ditosas, vão tragando
poesias
com os olhos voluptuosos e,
entre versos eróticos,
cochicham
colocam seus olhares analíticos,
sapecas, mui caleidoscópicos.
Sob chancelas alheias se realizam,
fantasiam torpe e impregnam
suas loucas quimeras de poesias
sensuais, toques de sexo que
evocam
quem se identificará
com elas, e:
quem sabe entrará pra
turma?
Mas tem que ter fire no pensamento!
Nas ventas, nas têmporas
febris,
visualizar quentes quadros
de volúpias,
e saber esconder sorrisinhos
marotos,
e dissimular bem pensamentos
sujos,
por detrás das inocentes
poses... de anjos...
dos doces e contidos gestos...de
santas...
Autor:
Elisa Maria Gasparini Torres
Humor
Estou
sempre procurando por escritor
que escreve as poesias de
humor,
essas sempre foram a preferência
minha.
Adoro quando em verso bem
rimado
ficam chamando político
de safado,
que xinga o rei e também
xinga a rainha.
Poetas
que dispensam qualquer senha
mas que estão sempre
descendo a lenha,
no governo, no prefeito e
no vereador.
Que mostram e falam do podre
desse ovo
de quem vive só roubando
o povo,
desse poeta sim, sou um assíduo
leitor.
Quando
seu tema e xingar o deputado
mas que falam mal também
do senado,
que lançam sobre eles
a maldição.
Sua vontade e coloca los numa
fileira
jogar um por um no meio da
fogueira,
onde só queimaria quem
é ladrão.
Vivem
nas letras lançando
cascudo
para atingir o careca e o
barbudo,
e tudo que mais existe de
mal feitor.
Pra mim, um tipo de poeta
que brilha
por viverem atacando essa
matilha
que só em eleição,
lembra de leitor.
Autor:
Gil de Olive
Mulheres e Flores
Amo as mulheres de todas as
cores
A minha profissão é
amar
De manhã acordo-as
com flores
Á noite levo-as a jantar
Gostava
de ir a marte
Pela lua me apaixonar
Fazer do amor uma arte
Para a paixão não
acabar
Viver
toda a vida apaixonado
Que mais um homem desejar
Acordar com amor a seu lado
Ter sempre alguem para amar
Morrer
de paixão eu queria
Ainda melhor morrer de amores
Do meu sono não acordaria
Levar mulheres em vez de flores
Dedico
estes versos a toda a mulher
Que ainda não descobriu
o amor
Não bata ao homem com
a colher
Acorde-o com um beijo e uma
flor .
Autor Desconhecido
Entrega Errada
Numa
tarde de sexta feira
em que estava bem abonado,
resolvi encher a geladeira
rumei para o supermercado.
Depois
de ir no caixa pagar
ainda dei uma boa conferida,
pedi para em casa entregar
e peguei um litro de batida.
Quando
chegou já estranhei
tinha sacola toda rasgada,
não era nada do que
comprei
aquela entrega estava errada.
Cadê
minha sacola de biscoito?
Cadê meu tempero e meu
sal?
Comprei três, mandaram
oito
mais dez quilos de bacalhau.
Filé
mignon jamais comprei
truta defumada nem se fala,
seis litros de uiski encontrei
e mais cinco quilo de bala.
Mas
esqueceram do meu feijão
também do queijo para
ralar,
tenho dez quilos de camarão
e mais cinco potes de caviar.
Tambem
seis quilos de salmão
seis champagne e duas taça,
mais dois pacotes de limão
como capricharam na cachaça.
Achei
sacão de pura costela
e de tudo para uma feijoada,
mas não mandaram a
mortadela
esqueceram da minha goiabada.
Não
precisava tanto palmito
muito menos o doce de leite,
tava quase inteiro o cabrito
mais vinte lata de azeite.
Deve
ser de algum palacete
essa compra tão farturosa,
onde ponho tanto sorvete?
Vou dividir com Maria Rosa.
Durante
três dias esperei
no caso de alguém reclamar,
depois do quinto não
aguentei
primeiro a cachaça
fui atacar.
Como
ninguém reclamou nada
longo mês de fartura
passei,
sempre com a pança
estufada
por alguns quilos que ganhei.
Autor:
Gil de Olive
O Pincel
Diz-me
lá Manel
Estás com azia
Olhando o pastel
Estou sim Maria
Diz-me
lá Manel
O que te aborrece
Olhando o pincel
O que te parece
Mas
é o pincel
Ai mas que chatice
O que te entristece
A tua maluquice
Mas
que maluquice
O que foi Maria
Deixa lá, gostava que
risses
Valha-me a Sra. da Agonia
Ainda
tens azia
Agora arreliado
Claro que tenho azia
Estou todo mijado
Mas
que tristes fados
Tia Maria e tio Manel
Prá li abandonados
Nos pêlos do pincel
Autor: Antónia Ruivo
Quando nada Acontecia
Éramos
sempre dois...
Quando sentíamos
Quando queríamos
Quando comíamos
Quando bebíamos
Quando assistíamos
Quando dormíamos
Quando acordávamos
Quando brigávamos...
Éramos
sempre dois...
Quando amávamos
Quando sofríamos
Quando sorríamos
Quando chorávamos
Quando ganhávamos
Quando perdíamos
Quando saiamos
Quando chegávamos...
Quando
não...
Sentíamos, queríamos,
Comíamos, bebíamos
Assistíamos, dormíamos...
Acordávamos, brigávamos,
Amávamos, sofríamos,
Sorríamos, chorávamos,
Ganhávamos, perdíamos,
Saiamos, chegávamos...
Quando
nada acontecia
Éramos sempre dois.
Autor:
Marcelo Henrique Zacarelli
Ai do Teu Lado
Quem
me dera,
ter ou estar
Com o humor apurado
pra te relatar
Um grande “babado”
Fato, não noticiado
Um “causo”...
inusitado.
Que não se mostre arrastado
Nem tampouco atropelado
Que seja bem contado
Um “causo” bem
costurado.
Daquele, bem engendrado
Que se ouve quieto
Que se ouve compenetrado
De preferência sentado
Acompanhado de uma xícara
de café quente (não
requentado)
E de uma vasilha de pipoca
idem.
Quem
me dera
Ah, quem me dera
Estar mais inspirado
Para poder, querida Jack
Elaborar um texto bem rebuscado
Onde ficasse explicitado
Todo o meu enfado
Por não poder estar,
quem sabe sentado
Ou... deitado
Ai do teu lado
Autor:
Pedro Geraldo
Curioso
Nos gonzos
rangindo,
fatal testemunho
de tua ausência,
o vai e vem
entreabre
a porta,
E meus olhos
espreitam,
esgueirando-se
pela fresta,
Querendo vislumbrar,
Não a tua volta,
mas a cor do teu sapato!
Autor
Desconhecido
Troco Tudo por um Chopp
Faço tudo, tudo
menos isso...
me coloque a dançar
Macarena
com um animador de cruzeiro
me jogue num barquinho
apontado para a África
me faça implorar a
Deus baixinho:
-desejo humildemente
redescobrir o Brasil, ele
sumiu...
e eu
a única a saber aqui
dentro o que acontecia
isso é um SOS!
preciso de um espelho imediatamente!
deve estar tudo na cara
transpirando pela pele...
mas eu juro, juro!
vou me remeter ao pecado
de forma cristã
vou me dedicar a delicadeza
da dúvida
de que calça irei comprar...
me tire dessa!
mas morrer assim não!
um tiro à queima roupa
não, não e não!
ainda nem escrevi o livro:
"Hoje eu ganho!"
ainda nem li a não
notícia:
"Pessoas interessantes
não cedem a um olhar...isso
não é verdade"
troco tudo que possuo agora:
atordoação,
pernas bambas
mãos trêmulas
mudez completa
troco tudo agora!
é pegar ou largar!
1,2,3,4...
troco tudo por mais um chopp
g a r ç o nnnnnnnnnnnnn
preciso devolver esse olhar
agora!
devolver assim:
estouàfimestouàfimestouáfimestouàfim....
Autor
Desconhecido
Quando
a Culpa é do Vento
O que me move e comove
O que dita a minha sorte
Aquilo que o lixo remove
É a força do
vento norte
O
que jorra de dentro de mim
E me fala às vezes
de morte
É lírio de raro
jardim
Trazido pelo vento norte
Aquilo
que às vezes penso
Com contornos e recorte
É trabalho que fala
de senso
Mas também do vento
norte
Se
às vezes penso num
tempo
Portador de melhor sorte
Esse tempo há-de ser
um tempo
Trazido pelo vento norte
Por
muito que o homem não
queira
E pesado lhe seja o suporte
Não lhe resta senão
carregar
A fúria do vento norte
Ele
às vezes é desabrido
E tem ganas de ser forte
Mas a fúria é
lhe contida
Pelo agreste vento norte
Quando
às vezes me avenho
comigo
Por o gado não ter
melhor corte
Abro na porta um postigo
E dou asas ao vento norte
Quando
me zango comigo
Por que me julgo mais forte
Perco as peneiras amigo
Por culpa do vento norte
Se
queres que te diga a verdade
Aquela que cabe num pote
De todos os males a culpa
É sempre do vento norte
Para
ser franco e leal
E este poema me conforte
Gritarei aos quatro ventos
Que a culpa não é
de ninguém
Mas sempre do Vento Norte
Autor:
Antonius
Casal Cem
Axo qui priciso di i numa
iscola
pruquê minha muié
muntu mi amola,
já falei prela que
num dianta
a minha ...mão já
num levanta,
é qui sô do tempo
do vintém
a minha idade contei até
os cem...
A
vida e munto boa, gostosa
e danada
tive munto mai de mir namorada,
desdi piqueno suzinho nunca
ficava,
só esposa acho que
é a oitava,
prá essa vida tenho
que dizê amém
quantia de fio, num falo prá
ninguém...
Ela
minha opinião nunca
aceita
quer qui eu leiu sua receita,
também sua idade...tem
muitos tentos
seus netos já passaram
de duzentos,
mai tá boa, ela só
um cadinho manca
deve ser pelo excesso di pelanca...
Imbora
tenha erros a reviria
vejam qui inda iscrevo uma
poesia,
isso prova qui ainda tô
muito bão
mió qui passupreto
no arçapão,
essa vida está danada
di boa
agora vou dar piúlas
para a patroa...
Autor
Desconhecido
Tentar Convencer Jesus
A
Águia levantou voo,
meio abatida
E lá foi de asa coxinha
procurar norte
Da sua doença está
tão convencida
Que a voar assim anda perto
da morte.
Tropeçando
nas nuvens que a envolvem
Vai procurando o remédio
para a maleita.
Os micróbios de todos
os lados chovem
Das bancadas, dos jornais,
anda desfeita.
Antibióticos,
os bons, são caros
demais
E a Águia não
tem a Segurança Social
E entre andorinhas e tantos
pardais
Vai chorando a sua sina no
Seixal.
As
bruxas fazem rezas mas sem
efeito
Os homens de preto em nada
ajudam
Ganhar está conjugado
ao imperfeito
E as tentativas de cura nada
mudam.
Agora
só espera por um milagre
Vai pedir ao Divino outra
Cruz.
E que para a cura Ele lhe
consagre
Até já foi tentar
convencer Jesus.
Reuniram-se lá na Sé
de Braga
O Vieira, o Costa e Jesus
espertalhão
Que viu logo que aquela chaga
Vinha mesmo das garras do
Leão.
O
Leão anda de juba eriçada
Rindo, vai dizendo.... oh
meu,,,
Acaba com essa palhaçada
Pois acredita, eu, até
sou ateu.
Autor:
A. da Fonseca
Amor Provocante
Este
Amor não me deixa sereno.
É provocante!
Mal acordo
avisa-me da minha agenda.
Tantos utentes
e alguns pacientes.
Que fazer?
A
uns digo
as palavras do costume,
as que alimentam o seu ego!
A outros
é mais complicado.
Aquela mente
anda tão doente,
e têm o corpo
com tantas dores,
que nem eu
lhes receito amores!
Antes
amor provocante
do que amor doentio…
Autor:
José Manuel Brazão
Vida de Brasileiro
Estou
pulando em cangote
estou brigando com chicote
por causa do meu dinheiro.
Faço uma economia ferrenha
já estou queimando
lenha
e nunca compro no primeiro.
Não
sou empresário de craque
mas chamaria até o
Mandrake
se soubesse seu paradeiro.
Enfrento chuva e ventania
tudo para fazer economia
não acho nada no bueiro.
Para
ganhar o meu trocado
pulo mais que papel picado
dou duro durante o mês
inteiro.
Ando economizando as moedinhas
sou pior que o Tio Patinhas
peço desconto até
pra padeiro.
Como
nunca gasto demais
vivo escondendo meus reais
como já fazia com o
cruzeiro.
Para escapar de algum ladrão
nada deixo sobre o couxão
pus um cofre no travesseiro.
Na
bordoada bato e alejo
para a vaca não ir
pro brejo
vou defendendo meu terreiro.
Do jeito que a coisa tá
russa
mas nem que a vaca tussa
gasto meus cobres no pingueiro.
Como
ainda não penso na
minha cova
só compro alguma roupa
nova
com o pagamento de fevereiro.
E sei que minha barriga grita
mas carne na minha marmita
só mesmo quando for
festeiro.
Tem
gente que me admira
pois dinheiro de mim ninguém
tira
nem com serviço de
macumbeiro.
Por um só realzinho
brigando
e por descontos implorando
essa é a vida de um
brasileiro.
Autor:
Gil de Olive
A Volta de Quem Não
Foi...
Vou
contar pra vocês um
macabro acontecido,
vejam só o que ocorreu
num site e não num
sítio:
A vontade de crescer levou
um cabra a fazer,
dos leitores e amores, dos
fãs e admiradores,
dos leigos e doutores, poetas
e amadores,
deixando-os abismados, aos
amantes da bela arte,
um bando de lesados, quase
os levando ao enfarte!
A
tramóia foi armada,
a população
enganada,
com a farsa anunciada... Um
cabra mau publicou,
a morte que não ocorreu,
será que o engano se
deu?
Ou foi tudo pelo IBOPE?...
Subir na vida assim...
Lágrimas, lamentações,
busca na Net, indagações,
Digo-lhes que é ruim...
Essa fama não dá
sorte!
Pois creio não ser
bom brincar assim com a morte!
Espantada
fiquei com a frieza da nota
no site anunciada,
A morte foi planejada, missivas
destinadas e enviadas,
até o último
desejo foi em carta na internet
publicada!
Não haverá enterro,
falou: pois, o corpo logo
eu dou,
Para estudos no IML!... Quanta
precipitação...
Só sei,
que não se brinca com
emoção...Volta
quem não se foi,
Rasga-se então o véu
de quem não chegou
ao céu...
Autor:
Cordel
Gripe
Ofereço uma gripe
Rapariga airosa
Nariz a pingar
E a vista chorosa
Uma
gripe horrorosa
Moça casadoira
Parece mariposa
Desfolhada moçoila
Tal
como a papoila
De faces vermelhas
Assim como a rolha
Entupida em pieira
Gripe
interesseira
Eu quero oferecer
De qualquer maneira
Eu a vou vender
De
nariz a escorrer
Tosse até mais não
Nem queiram saber
Tamanha aflição
Por
um tostão
A levam para casa
Com chá de limão
Vão ver logo passa
Autor:
Antónia Ruivo
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