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Recordações
Dentro de pensamentos e objetos
Pequenas coisas
De grandes valores ao coração.
Presentes
Para grandes recordações,
Valores sentimentais...
Em simples coisas
Se guardam momentos de felicidade;
Momentos inesquecíveis
Os quais as estrelas e a lua
Foram testemunhas;
Testemunharam a felicidade
Unida ao amor.
Recordações
Que podem ser jogadas pela
janela
Mas jamais apagadas do coração.
Recordações
que fortalecem a saudade
E alimentam a esperança.
Segredos escondidos em
Cartas,
Presentes,
Ou em uma linda canção...
Recordações
que alimentam os sonhos
E calam as palavras.
Recordações
Simples recordações
Que fantasiam a alma
E multiplicam os desejos;
Desejos que se prendem
Em doces
Recordações.
Autor
Desconhecido
Doce Recordação
Os
anos eram os sessenta...
E tudo que queríamos
era namorar...
A cuba libre ou algo a base
de menta...
Embalava-nos para dançar!!!
Ao
som de Rita Pavone...
Rebolávamos freneticamente...
Quando tocava Ray Coniff...
O amasso era eminente!!!
Beijo
na boca...
Corpo colado...
Coração pulsando...
Compromisso selado!!!
Pizza
brotinho...
Sorvete cascão...
Namorar no escurinho...
Ahh, como era tão bom!!!
Matine
nos domingos...
Era mais que esperado...
Filmes tão lindos...
E muitos beijos molhados!!!
Autor:
Edson Milton Ribeiro Paes
Recordações
Recordações...
Daquela paixão delirante
Dos beijos apaixonados
Dos abraços apertados
De tudo o que fomos antes
Recordações...
Dos carinhos, dos beijinhos
Dos passeios de mãos
dadas
Dos sorrisos, das risadas
Do aconchego em nosso ninho
Recordações...
Das bebidas que tomamos
Das viagens que fizemos
Da história que escrevemos
Das noites que nos amamos
Recordações...
Das noites frias de inverno
Dos nossos corpos colados,
Dormindo sempre abraçados...
Das juras de amor eterno
Recordações...
Da nossa ingenuidade
Da nossa conversa bobinha
Dos tempos daquela casinha
Do nosso amor de verdade
Recordações...
Daquele beijo gostoso
Do olhar apaixonado
Do sorriso inesperado
Do abraço carinhoso
Recordações...
Do viver em harmonia
Da nossa felicidade
Da vida sem vaidade
Do amor que existia
Recordações...
Do namoro no portão
Do casamento pomposo
Do nosso primeiro gozo
Dos sonhos que hoje se vão
Recordações...
Das nossas loucuras reais
Dos ciúmes amorosos
De tantos momentos gostosos
Recordações...
Nada
mais...
Autor:
Magro Almeida
Recordações!
Todo o tempo que passamos
Todo o tempo em que te amei
São meras recordações
Que nunca esquecerei!
Eu vivo de recordações
Por tanto te ter amado
Mas isso já passou,
Não falemos do passado!
Falemos do presente
E esse sim é importante
Já que isto não
passou
De uma aventura interessante!
A vida não tem sentido
Se não houver recordações
Vive-se o presente
Num mundo de ilusões!
Como a vida é feita
De boas e más recordações
O tempo passado, ficará
guardado
Nos nossos corações!
Recordação:
Recorda a acção
Recorda o amor
Recorda a paixão!
Recordar é bom
Recordar é viver
Aprende-se com os erros
Para não os tornar
a cometer!
Recordo tudo o que havia
Naquele momento
Em que havia tanto amor
Que se perdeu com o tempo!
Autor:
Diana Dias
Lembranças Saudosas
Lembranças
saudosas, se cuidais
De me acabar a vida neste
estado,
Não vivo com meu mal
tão enganado,
Que não espere dele
muito mais.
De
longo tempo já me costumais
A viver de algum bem desesperado:
Já tenho co'a Fortuna
concertado
De sofrer os tormentos que
me dais.
Atada
ao remo tenho a paciência
Para quantos desgostos der
a vida;
Cuide quanto quiser o pensamento.
Que
pois não posso ter
mais resistência
Para tão dura queda,
de subida,
Aparar-lhe-ei debaixo o sofrimento.
Autor:
Luís Vaz de Camões
Recordações...
"Carrego
ainda,
o que restou de nós,
numa caixinha
escondida no tempo...
Por
vezes, me pego,
a observar detalhes...
E dá vontade
de me guardar lá dentro...."
Autor:
Rose Felliciano
Recordações
O
sol ofusca os meus olhos
E aquece o meu corpo,
Eu caminho sob a sua luz,
Ruminando os meus sonhos,
Que se misturam com a magia,
Das lembranças dos
momentos felizes,
De quando caminhávamos
juntos.
Hoje só resta a saudade
daquele lindo passado
E das juras de amor ao luar.
Dois adolescestes apaixonados
descobrindo o amor.
O amor puro, verdadeiro, sem
maculas, o beijo doce,
O abraço que de tão
apertado deixava marcas no
peito.
O olhar no olhar e as juras
inocentes do amor primeiro,
As tardes de domingo e a matine
no cinema,
Brincadeiras de passar o anel
Cobra cega, para adivinhar
quem era o namorado
E ganhar um beijo.
Hoje, tudo isso é passado
que á vida deixou tatuado...
Em meu coração.
Hoje tento juntar os pedaços
Para recomeçar tudo
outra vez.
Quero de novo meus sonhos
infantis,
Teu sorriso ingênuo
E sentir fogo da paixão
primeira,
O calor do teu corpo colado
ao meu
A ternura do teu abraço,
O primeiro beijo que você
me deu
E da primeira vez que você
foi minha e eu fui teu.
Não me deixe esquecer
De que um dia eu amei você
E que ainda ti amo muito.
Autor:
Jose Aparecido Botacini
Recordação
E
tu esperas, aguardas a única
coisa
que aumentaria infinitamente
a tua vida;
o poderoso, o extraordinário,
o despertar das pedras,
os abismos com que te deparas.
Nas
estantes brilham
os volumes em castanho e ouro;
e tu pensas em países
viajados,
em quadros, nas vestes
de mulheres encontradas e
já perdidas.
E
então de súbito
sabes: era isso.
Ergues-te e diante de ti estão
angústia e forma e
oração
de certo ano que passou.
Autor:
Rainer Maria Rilke
A Lembrança
Não te afastes, lembrança,
não te afastes!
Rosto, não te desfaças,
assim,
como na morte!
Continuai a olhar-me, olhos
enormes, fixos,
como um instante me olhastes!
Lábios, sorri-me,
como me sorristes um instante!
Ai, fronte minha, aperta-te;
não deixes que se espalhe
sua forma fora do seu vaso!
Oprime o seu sorriso e o seu
olhar,
até serem a minha vida
interna!
—
Embora me esqueça de
mim mesmo;
embora o meu rosto, de tanto
o sentir, tome
a forma do seu rosto;
embora eu seja ela
e nela se perca a minha estrutura!
—
Oh
lembrança, sê
eu!
Tu — ela — sê
lembrança inteira e
única, para sempre;
lembrança que me olhe
e me sorria
no nada;
lembrança, vida com
minha vida,
feita eterna, apagando-me,
apagando-me!
Autor:
Juan Ramón Jiménez
Um Amor
Aproximei-me
de ti; e tu, pegando-me na
mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo
do mar para os afogados. Depois,
na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros;
um ar
diferente inundava a cidade.
Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus
passos,
uma respiração
apressada, ou um princípio
de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando
a praça
até desaparecer. Ainda
ali fiquei algum tempo, isto
é,
o tempo suficiente para me
aperceber de que, sem estares
ali,
continuavas ao meu lado. E
ainda hoje me acompanha
essa doente sensação
que
me deixaste como amada
recordação.
Autor:
Nuno Júdice
Não Trago Recordações
Não
trago recordações.
Escolheria as que não
interessam a ninguém.
Como se erguesse contra mim
o tiro de uma arma
ou acabasse de ler as disposições
da comuna
sobre as mulheres.
Precisamos um do outro
esta noite
ferido
por uma bala.
Os
dois os três dias que
se vão seguir.
Os envelopes foram destruídos.
As coisas
as cartas
o
tempo é sempre magnífico.
Terra povoada de gente
mil e uma coisas que fazem
uma arma
soltar o corpo
para o corpo de outro corpo.
As
frases começadas
hei-de um dia os mundos desta
vida.
Autor:
João Miguel Fernandes
Jorge
Em um Retrato
De
sob o cômoro quadrangular
Da terra fresca que me há
de inumar,
E depois de já muito
ter chovido,
Quando a erva alastrar com
o olvido,
Ainda, amigo, o mesmo meu
olhar
Há de ir humilde, atravessando
o mar,
Envolver-te de preito enternecido,
Como o de um pobre cão
agradecido.
Autor:
Camilo Pessanha
Trágica Recordação
Meu
Deus! meu Deus! quando me
lembro agora
De o ver brincar, e avisto
novamente
Seu pequenino Vulto transcendente,
Mas tão perfeito e
vivo como outrora!
Julgo
que ele ainda vive; e que,
lá fora,
Fala em voz alta e brinca
alegremente,
E volve os olhos verdes para
a gente,
Dois berços de embalar
a luz da aurora!
Julgo
que ele ainda vive, mas já
perto
Da Morte: sombra escura, abismo
aberto...
Pesadelo de treva e nevoeiro!
Ó
visão da Crença
ao pé da Morte!
E a da Mãe, tendo ao
lado a negra sorte
A calcular-lhe o golpe traiçoeiro!
Autor:
Teixeira de Pascoaes
Lembrança
Fui
Essa que nas ruas esmolou
E fui a que habitou Paços
Reais;
No mármore de curvas
ogivais
Fui Essa que as mãos
pálidas poisou...
Tanto
poeta em versos me cantou!
Fiei o linho à porta
dos casais...
Fui descobrir a Índia
e nunca mais
Voltei! Fui essa nau que não
voltou...
Tenho
o perfil moreno, lusitano,
E os olhos verdes, cor do
verde Oceano,
Sereia que nasceu de navegantes...
Tudo
em cinzentas brumas se dilui...
Ah, quem me dera ser Essas
que eu fui,
As que me lembro de ter sido...
dantes!...
Autor:
Florbela Espanca
Tens Ido
Tens
ido,
Mesmo quando cá estás
no calor do meu abraço,
não estás cá.
Viajas para longe! Muito longe...
Uma ou outra hora até
desejas ter nascido noutro
lugar..
sou pouco para ti!
Mas Quando passares por aqui
E me ouvires falar sozinha,
Darás conta que senti
falta de ti!
Não direi nada
Ou nada entenderás
Mas irei falar,
falar,
falar...
Até que me possas escutar!
Autor:
Fabiana Queirós Oliveira
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