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Os
passos da vida
Na
vida nada é mais importante
do que como as pessoas a encara.
Não importa como é
o lugar em que estamos,
o que importa é como
somos,
nesse lugar.
O que interessa mesmo
não é por qual
caminho iremos seguir,
interessa mesmo é como
iremos seguir esse caminho.
O que vale não é
o impulso da vida
que nos leva a viver,
o que vale é como fazemos
viver a vida.
O importante mesmo é
saber que nós
escrevemos o nosso destino,
e não que o destino
nos escreve.
Na vida, tudo é uma
bagagem,
basta apenas nós sabermos
o que carregarmos.
Em nossos caminhos há
obstáculos,
mas quem decide como passar
por cima dele somos nós
mesmos.
Autor:
Desconhecido
COMEÇAR DE NOVO
O tempo passa...
Não desculpa o nada
fazer.
Para dar um basta
Chegar ao fim,
Passar a página,
De nada adianta
Prolongar o que termina;
É estender a tristeza,
E adiar a alegria.
É assim mesmo,
Ciclos, ciclos da vida;
Novo ciclo já se inicia.
É preciso recomeçar,
Por mais medo que traga.
Só assim se ouve,
A natureza que canta;
A nova vida que clama,
Por uma nova chama.
Autor:
Desconhecido
Para
os que virão
Como
sei pouco e sou pouco,
Faço o pouco que me
cabe
Me dando inteiro.
Sabendo que não vou
ver
O homem que eu quero ser.
Já
sofri o suficiente
Para não enganar a
ninguém:
Principalmente aos que sofrem
Na própria vida, a
garra da opressão,
e nem sabem.
Não,
não tenho o sol escondido
no meu.
Bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
Para quem já a primeira
E desolada pessoa
Do singular – foi deixando,
Devagar, sofridamente
De ser, para tranformar-se
Muito mais sofridamente
Na primeira e profunda pessoa
do plural.
Não
importa que doa: é
tempo
De avançar de mãos
dadas
Com quem vai no mesmo rumo,
Mesmo que longe ainda esteja
De aprender a conjugar
O verbo amar.
É
tempo sobretudo
De deixar de ser apenas
A solitária vanguarda
De nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(dura no peito, arde a límpida
verdade de nossos erros)
Se trata de abrir o rumo.
Os
que virão, serão
povo,
E saber serão, lutando.
Autor:
Thiago de Mello
Tu podes
Se
tu podes amar,
por que o ódio?
Se tu podes servir,
por que ausentar-se?
Se
tu podes apoiar,
por que criticar?
Se tu podes pacificar,
por que ceder á violência?
Se
tu podes ter fé,
por que ainda duvidas e não
crê?
Se tu podes amparar,
por que omitir-se?
Se
tu podes ter amigos,
por que semear a discórdia?
Tu és um ser muito
especial para Deus,
não despreze tal amor
divino.
Não
deixes que tua tristeza
vença a tua alegria,
pois o sorriso que carregas
consigo
é a tua arma poderosa,
porque tu podes e deves ser
feliz!
Autor:
Desconhecido
Acordar, Viver
Como
acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não
existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como
repetir, dia seguinte após
dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança
das coisas ásperas
de amanhã com as coisas
ásperas de hoje?
Como
proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me
inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não
sou?
Ninguém
responde, a vida é
pétrea.
Autor:
Carlos Drummond de Andrade
Amor
pois que é palavra
essencial
Amor
- pois que é palavra
essencial
comece esta canção
e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto
o guia,
reúna alma e desejo,
membro e vulva.
Quem
ousará dizer que ele
é só alma?
Quem não sente no corpo
a alma expandir-se
até desabrochar em
puro grito
de orgasmo, num instante de
infinito?
O
corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta
à origem
dos seres, que Platão
viu completados:
é um, perfeito em dois;
são dois em um.
Integração
na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega
aos astros?
Que força em nossos
flancos nos transporta
a essa extrema região,
etérea, eterna?
Ao
delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma,
num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se
concentraram.
Vai
a penetração
rompendo nuvens
e devassando sóis tão
fulgurantes
que nunca a vista humana os
suportara,
mas, varado de luz, o coito
segue.
E
prossegue e se espraia de
tal sorte
que, além de nós,
além da própria
vida,
como ativa abstração
que se faz carne,
a idéia de gozar está
gozando.
E
num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos,
ais,
um só espasmo em nós
atinge o clímax:
é quando o amor morre
de amor, divino.
Quantas
vezes morremos um no outro,
nu úmido subterrâneo
da vagina,
nessa morte mais suave do
que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então
a paz se instaura. A paz dos
deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta
o amor terrestre.
Autor: Carlos Drummond de
Andrade
Observo-te
Observo-te!...
Teu campo, teu domínio
Tua grandeza, tua proporção
Causa em mim, um tal fascínio
Que me entrego à contemplação...
Um
oceano negro, salpicado
Reluzindo um brilho desigual
Em cada ponto teu, que é
prateado
Há uma incerteza natural
Envolve
a Terra com simplicidade
Interfere no comando da razão
Negas ao mundo tua claridade
Pois teu segredo, habita a
escuridão
Os
astros, súditos de
teu reinado
São carícias,
em teu revolto manto
Inspiram mistérios
velados
Que chagam a causar-me espanto...
Sugere
sempre o desconhecido
Incita toda a sensibilidade
Dominas o rumo de quem foi
vencido
Pela fraqueza da curiosidade...
Causa-me
inquietação
Quase um medo de te conhecer
Receio tua força, tua
solidão
Quando te afastas ao amanhecer...
Céu...
Infinito... Paraíso!
Quem sabe o que és
realmente
Permaneces num ato conciso
Acolhendo
este planeta incoerente...
Meus
olhos brilham ao observar-te
Porto de almas infantis!
Meu coração
deseja revelar-te
O quanto na verdade, me fazes
sonhar...
Autor:
Renato Moura
Soneto de Refletir
Que
tarde nasce o sol, que vagaroso!
Parece que se cansa de que
a um triste
Haja de aparecer: quando resiste
A seu raio este sítio
tenebroso!
Não
pode ser que o giro luminoso
Tanto tempo detenha: se persiste
Acaso o meu delírio!
se me assiste
Ainda aquele humor tão
venenoso!
Aquela
porta ali está cerrando;
Dela sai um pastor: outro
assobia,
E o gado para o monte vai
chamando.
Ora
não há mais
louca fantasia!
Mas quem anda, como eu, assim
penando,
Não sabe quando é
noite, ou quando é
dia.
Autor:
Cláudio Manoel da Costa
Aquilo que não
fomos...
Ninguém tem culpa
Daquilo que não fomos
Não ouve erros
Nem
cálculos falhados
Sobre
a estipe de papel;
Apenas não somos os
calculistas
Porem os calculados
Não
somos os desenhistas
Mas os desenhados
E muito menos escrevemos versos
E sim somos escritos
Ninguém
é culpado de nada
Neste estranhar constante
Ao longe uma chuva fina
Molha aquilo que não
fomos...
Autor:
Desconhecido
Vivendo...
A vida parece difícil?
Há pedras no caminho?
Pare um instante,
Respire fundo,
Reflita...
Olhe
bem nos olhos da vida,
Não como adversária,
Não como inimiga,
Mas como fiel companheira.
Pense alto, pense forte.
Arregace
as mangas,
Siga em frente
E abra um sorriso largo.
Viver é uma arte...
Um eterno renascer,
Um
eterno renovar,
Uma longa aprendizagem,
Uma longa caminhada,
Enfrentando desafios.
Autor:
N.Rogero
Sonhando
Na noite calma,
Do quarto escuro,
Em vão procuro
A sua mão...
Se ainda insisto
No meu esforço,
Vejo seu rosto
Na imaginação.
Do meu corpo cansado
Minh’alma flutua
À procura da sua...
A sós.
Assim me adormeço
E, na paz do meu leito,
Um sonho perfeito...
De nós.
Autor:
N.Rogero
Distância
Quantas vezes eu fico vendo
o tempo passar
Na esperança de te
encontrar...
Quantas vezes ergo minha mão,
com vontade de te acariciar...
Ou secar uma lágrima.
Quantas vezes eu fecho os
olhos,
para sentir o teu toque...
e ao sentir vejo o teu sorriso...
Sinto
tanto a tua falta...
Falta do teu calor...
Falta dos teus beijos...
Falta do teu olhar...
Basta
saber que você existe,
pra me sentir aquecida, acariciada,
embalada nas minhas noites
vazias...
E a esperança preenche
meus sonhos...
A esperança de que
não tarde o próximo
dia em que vamos nos encontrar.
E de que não tarde,
o dia em que não vamos
mais nos separar... Porque
nasci para te ama.
Autor:
Eliene Lima
O
Medo
Em
verdade temos medo.
Nascemos no escuro.
As existências são
poucas;
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso
destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De
medo, vermelhos rios
Vadeamos.
Somos apenas uns homens e
a natureza traiu-nos.
Há as árvores,
as fábricas,
Doenças
galopantes, fomes.
Refugiamo-nos no amor,
Este célebre sentimento,
E o amor faltou: chovia,
Ventava,
fazia frio em São Paulo.
Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
Nos
dissimula e nos berça.
Fiquei com medo de ti,
Meu companheiro moreno.
De nos, de vós, e de
tudo.
Estou
com medo da honra.
Assim nos criam burgueses.
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E
se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,
Vem ó terror das estradas,
Susto na noite, receio
De
águas poluídas.
Muletas
Do homem só.
Ajudai-nos, lentos poderes
do
Láudano.
Até
a canção medrosa
se parte,
Se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,
Duros tijolos de medo,
Medrosos
caules, repuxos,
Ruas só de medo, e
calma.
E com asas de prudência
Com resplendores covardes,
Atingiremos
o cimo
De nossa cauta subida.
O medo com sua física,
Tanto produz: carcereiros,
Edifícios, escritores,
Este poema,
Outras vidas.
Tenhamos o maior pavor.
Os
mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias,
adeus.
Adeus: vamos para a frente,
Recuando
de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do
medo,
Eles povoam a cidade.
Depois
da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
Dançando o baile do
medo
Autor:
Carlos Drummond de Andrade
Serve-te!
Serve-te
em prato de ouro!
No centro dele, coloca teu
coração...
Enfeita-o com tuas palavras
doces, e
adorna-o com teu sorriso!
Tempera-te
de ternura, amor e graça...
O colorido de teu prato deve
ser de
carinho, amizade,e muita paz!
Oferta-te num prato de ouro!
Permite
que toquem em ti,
Que provem de ti:
Os amantes da paz,
Os apreciadores da luz,
Os
que anseiam pelo amor,
Os que carecem de amizade,
alegria, vida...
Serve-te a teus amigos num
prato de ouro!
Os banqueteadores são
eles,
O
prato és tu...
Sê o alimento do bem...
Feliz daquele que se serve,
Num prato de ouro!
Autor:
Desconhecido
O
Perdão
Tu
te proteges sob as asas do
perdão,
porque tal gesto amenisa,
se sofreres!
De alma leve, partes para,
novamente,
Errar, magoar, e depois, te
arrependeres!
Se os teus lábios,
qual aragem matutina,
Fossem obreiros, combatendo
o mal, a dor...
Todos teus sonhos, povoados
de ternura,
Seriam ecos dos teus gestos
de amor!
- Eu desejo te pedir perdão,
por tudo!
Este recurso, embutiste em
tua mente...
E o teu fardo de desculpas,
por errares,
Pode abater-te, pois já
pesa, imensamente...
Porém, se antes de
ofenderes, meditasses,
Não o farias, mas,
terias compaixão...
Não é sublime
errar sempre e escusar-se
Sublime é não
precisar pedir perdão!
Autor:
Desconhecido
Bonita são...
Bonitas
são as coisas vindas
do interior,
as palavras simples, sinceras
e significativas.
Bonito é o sorriso
que vem de dentro,
o brilho dos olhos...
Bonito
é o dia de sol depois
da noite chuvosa
ou as noites enluaradas de
verão
em que todos saem de casa.
Bonito é procurar estrelas
no céu
e dar de presente ao amigo,
amiga, namorado...
Bonito é achar a poesia
do vento,
das flores e das crianças.
Bonito
é chorar quando se
sentir vontade
e deixar que as lágrimas
rolem
sem vergonha ou medo de crítica.
Bonito é gostar da
vida e viver do sonho.
Bonito
é ser realista sem
ser cruel,
é acreditar na beleza
de todas as coisas.
Bonito é a gente continuar
sendo gente
em quaisquer situações.
Bonito é você
ser você.Autor:
A.D
Abra
seus olhos
Não
estaria você vivendo
no Paraíso, sem perceber?
Não estariam as frutas
maduras e suculentas
prontas para serem colhidas,
enquanto você continua
a cavar o solo
em busca de frutos amargos?
Não estaria você
andando por ruas abarrotadas
de diamantes sem sequer notá-los,
quanto menos pegá-los?
Não estaria você
ignorando diariamente
oportunidades de ouro, nos
poucos momentos que passa
fora da confortável
prisão que construiu
para sua vida?
Os
muros que o separam da plena
satisfação,
não teriam sido construídos
por
você mesmo?
Existe
ouro a ser garimpado em cada
momento.
Existe alegria a ser sentida
em cada amizade.
Existe um tesouro a ser descoberto
em cada problema.
Abra
seus olhos.
Abra seu coração.
Olhe em volta, de verdade,
e veja o mundo
maravilhoso em que poderia
estar vivendo,
se você quisesse.
Autor:
Desconhecido
Eu
voltarei
Meu
companheiro de vida será
um homem corajoso de trabalho,
servidor do próximo,
honesto e simples, de pensamentos
limpos.
Seremos
padeiros e teremos padarias.
Muitos filhos à nossa
volta.
Cada nascer de um filho
será marcado com o
plantio de uma árvore
simbólica.
A árvore de Paulo,
a árvore de Manoel,
a árvore de Ruth, a
árvore de Roseta.
Seremos
alegres e estaremos sempre
a cantar.
Nossas panificadoras terão
feixes de trigo enfeitando
suas portas,
teremos uma fazenda e um Horto
Florestal.
Plantaremos o mogno, o jacarandá,
o pau-ferro, o pau-brasil,
a aroeira, o cedro.
Plantarei árvores para
as gerações
futuras.
Meus
filhos plantarão o
trigo e o milho, e serão
padeiros.
Terão moinhos e serrarias
e panificadoras.
Deixarei no mundo uma vasta
descendência de homens
e mulheres, ligados profundamente
ao trabalho e à terra
que os ensinarei a amar.
E
eu morrerei tranqüilamente
dentro de um campo de trigo
ou
milharal, ouvindo ao longe
o cântico alegre dos
ceifeiros.
Eu voltarei...
A pedra do meu túmulo
será enfeitada de espigas
de trigo
e cereais quebrados
minha oferta póstuma
às formigas
que têm suas casinhas
subterra e aos pássaros
cantores
que têm seus ninhos
nas altas e floridas frondes.
Eu
voltarei...
Autor:
Cora Coralina
Lembrar e sonhar...
Perambulava
a esmo, na longa estrada da
vida,
Quando encontrei duas damas
- diferentes na aparência:
Uma velha, outra jovem, e
uma à outra tão
unida,
Que pareciam fundir-se ambas
na mesma essência.
"Vivo a olhar o passado",
me disse a dama velhinha.
"E eu, mirando o futuro",
comentou a jovenzinha.
E quando a idosa falou: "O
meu nome é Lembrança,"
A menina acrescentou: "Eu
me chamo Esperança".
Indaguei-lhes
o porquê daquela franca
harmonia,
Se eram tão contrastantes,
em sua diversidade.
"Nossas mãos estão
unidas, no viver do dia-a-dia,
do presente, do passado, futuro
e eternidade..."
O que é a vida de hoje
se não a coexistência
Das vivências que passamos,
com projeções
do porvir?...
Se um lado do coração
se entrega à reminiscência,
O outro vive a esperar um
futuro a lhe sorrir.
Lembrar e sonhar... dois pólos...
propulsões de nossa
mente,
A nos mostrar, na saudade,
no anseio e na confiança,
Que lembranças de outrora
coexistem no presente,
Com sonhos que acalentamos,
eternizando a esperança...
Manhãs
de paz e magia
Eu me entrego à leitura
na manhã que brilha,
Num mergulho profundo pela
poesia,
A sonhar, suspirar, me embrenhando
na trilha
De ternura e carícia
que o poema irradia...
Eu
anseio por logo desvendar
os mistérios
De entrelinhas que falam de
tristeza e alegria.
Termos felizes, duros, jocosos
ou sérios,
Traduções de
beleza, amor, paz e magia.
De
que fonte sublime vivem a
jorrar
Sentimentos tão vários,
emoções sem
par,
Tanta sensibilidade, tanta
inspiração?
De
um órgão, é
certo, tudo isso emana,
Propulsor e fascínio
da existência humana:
O sempre amigo, amante - e
terno - coração...
Autor: Oriza Martins
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