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Ser
Doido-Alegre, que Maior Ventura!
Ser
doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p'ra além
da verdade.
É tão feliz
quem goza tal loucura
Que nem na morte crê,
que felicidade!
Encara,
rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola, a falsa
caridade,
Que bem no fundo é
só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na
vaidade.
Já
que não tenho, tal
como preciso,
A felicidade que esse doido
tem
De ver no purgatório
um paraíso...
Direi,
ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido
também
P'ra suportar melhor quem
tem juízo.
Autor:
António Aleixo
Os Loucos
Há
vários tipos de louco.
O
hitleriano, que barafusta.
O solícito, que dirige
o trânsito.
O maníaco fala-só.
O
idiota que se baba,
explicado pelo psiquiatra
gago.
O legatário de outros,
o que nos governa.
O
depressivo que salva
o mundo. Aqueles que o destroem.
E
há sempre um
(o mais intratável)
que não desiste
e escreve versos.
Não
gosto destes loucos.
(Torturados pela escuridão,
pela morte?)
Gosto desta velha senhora
que ri, manso, pela rua, de
felicidade.
Autor:
António Osório
Eu Quero Ser Eu!
Quem eu sou?...
Quereres alheios,
Protótipo de quem quis
ser e não foi;
Sonho, utopia...
Agonia de quem só sonhou
sem acordar!
Preciso de luz!...
Descobrir o que sou, externar
o meu eu...
Meu ego explicitar!
Ainda que me queime o sol,quero
gritar ao vento,
Ficar nu por dentro, tudo
mostrar...
Que importa o choque...Quero
impactar!
Que se dane o mundo, eu quero
zoar!
Santo ou demônio...Quem
eu sou enfim?
Mataram meu ego, eu não
sou assim!
Autor:
Esther Rogessi
Loucura
Quando
o lençol da noite me
envolve,
Cubro-me com o manto de tua
saudade
Me enchem vazios que só
meu corpo conhece
Reclames que só meu
corpo entende
As
paredes de meu quarto tatuadas
Tem teus olhos à me
espionar
Tem teus lábios aflorando
beijos
Acalenta meus mais profundos
desejos
Rolo
pela cama insone e desejosa
Baila em minha mente vãos
delírios
Sonha essa mulher desperta
e curiosa
Aguardando que caias em desvarios
Pecado
de amor que guardo
Retalhado amor na minh´alma
Que me confrange enquanto
aguardo
Loucura que me desgoverna
sem calma
Rogo
pelas noites perfumadas
De ti roubar a alma fogosa
E cavalgar pelas madrugadas
Te apresentar essa mulher
amorosa
A
loucura que na noite me assanha
Escorre nas bordas do meu
coração
Vem em gotas e me lanha
Me mexe remexe a emoção
Autor: Angélica T.
Almstadter
Louca Ambição
Onde
está a minha graça?
por onde anda, minha filantropia?
se despencou, caiu, sumiu,
no ralo da pia.
No instante, eu sinto apenas
a minha frieza
frieza de mármore,
e o meu obsessivo desejo ao
acúmulo.
Talvez eu precise ver o pôr
do sol,
talvez eu precise ver o orvalho,
caindo de galho em galho na
madrugada fria,
talvez eu precise dedicar
ao meu triste olhar,
uma poesia,
e mesmo assim, ainda me persegue
a atonia
então descabelo os
meus cabelos,
que de tanta aflição
já ñ existe
mais,
a cada dia, procuro,busco,eu
quero mais.
O tudo para mim, se tornou
pouco.
O louco correndo atrás
do mito.
O mito correndo artás
do louco.
Autor:
Murray
Loucura
Loucura, é fazer querendo
É querer sabendo
O que se quer fazer
Mesmo sem entender
Loucura,
é ser modesto sem ser
É viver pra viver
Esquecendo a razão
Se levar por paixão
Loucura,
é viver de ilusão
Sentindo emoção
Sem ter compaixão
Do seu coração
Loucura,
é continuar sentindo
Um suave arrepio
Por alguém arredio
E pra mim mesma mentindo
Como que me traindo
Loucura,
é viver a quimera
De quem não pondera
E por amor ainda espera
Quem me dera. quem me dera...
Autor: Helena
Que Loucura
Loucura é dois corpos
unidos num só desejo,
É calor, fervor, a
maravilha de um beijo.
Dado com carinho com paixão,
Se torna a mais ardente tentação.
Entre o embaraço, a
loucura do momento,
Não podemos decifrar
o que há no pensamento.
Nessa hora é o que
menos importa,
E o amor bate à nossa
porta.
Com a fúria de um furacão,
Arrebentando o coração.
Dois corpos nus, suando de
tesão,
Misturados a uma louca paixão.
E quando se chega no topo,
Daquele momento louco,
Uma felicidade, uma calma
invade,
E dois amantes saciam a vontade.
Vontade de se amar, de se
ter,
De se completar, de pertencer.
Autor
Desconhecido
A Loucura do Poeta
O
Poeta vinha para cantar!
A
inocência das crianças,
um mundo sem guerras,
sem ódios, sem algemas,
um sonho de esperanças
a raiar no pensamento.
Tchetchénia,
Bósnia, Ruanda,
lutas, genocídios,
atentados,
inocentes metralhados!
Rotas inter-planetárias,
galáxias desintegradas
em foguetões de claridade
lunar.
Cavalgadas na espoleta do
tempo,
cisões na virgindade
cósmica,
com sublimes poemas de anos-luz.
O
Poeta vinha para cantar!
Destinos
entre Caim e Abel.
Proscritas as Escrituras,
renegadas as leis e as teorias,
conspurcados os templos,
escarnecidos os sábios,
profanados os túmulos,
orgias, bacanais, rumores
de Satã,
Sharon Tate cravada de punhais!
Era
belo o sonho do Poeta!
Mas regressou à sua
visão fantástica,
como se retornasse ao ventre
materno,
para clamar num grito desesperado,
a sua tragédia, a sua
glória, a sua loucura!
Poeta
visionário! Poeta desgraçado!
O sopro do teu génio
transformou-te,
ironicamente, num pobre Poeta
louco!
Ora
Até que Enfim
Ora
até que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exatamente
na cabeça.
Meu coração
estourou como uma bomba de
pataco,
E a minha cabeça teve
o sobressalto pela espinha
acima...
Graças
a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou
em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me
atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar
coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me
faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem
eu ter comido nada!
Graças
a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução,
e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a
com os intestinos!
Poesia
transcendental, já
a fiz também!
Grandes raptos líricos,
também já por
cá passaram!
A organização
de poemas relativos à
vastidão de cada assunto
resolvido em vários
—
Também não é
novidade.
Tenho vontade de vomitar,
e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que,
se pudesse comer o universo
para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era
para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não
tenho nem fim nem vida...
Autor:
Álvaro de Campos
Esta Espécie de Loucura
Esta
espécie de loucura
Que é pouco chamar
talento
E que brilha em mim, na escura
Confusão do pensamento,
Não
me traz felicidade;
Porque, enfim, sempre haverá
Sol ou sombra na cidade.
Mas em mim não sei
o que há
Autor:
Fernando Pessoa
Loucura
Tudo
cai! Tudo tomba! Derrocada
Pavorosa! Não sei onde
era dantes.
Meu solar, meus palácios,
meus mirantes!
Não sei de nada, Deus,
não sei de nada!...
Passa
em tropel febril a cavalgada
Das paixões e loucuras
triunfantes!
Rasgam-se as sedas, quebram-se
os diamantes!
Não tenho nada, Deus,
não tenho nada!...
Pesadelos
de insônia, ébrios
de anseio!
Loucura a esboçar-se,
a enegrecer
Cada vez mais as trevas do
meu seio!
Ó
pavoroso mal de ser sozinha!
Ó pavoroso e atroz
mal de trazer
Tantas almas a rir dentro
da minha!
Autor:
Florbela Espanca
Loucura Perdoada
Embriagava-me de harmonia
Quando teu corpo me envolvia
Com amor, de toda maneira
Sem pudor, por inteira
E gritavam em uníssono
nossos corações
Perdendo-se como num sussurro
as nossas razões
Por
fim, caia a madrugada
E minha loucura era perdoada
Meus desejos como fogo, vivendo
À flor da pele me ardendo
Enquanto tua voz ecoava pelos
cantos
E eu me submetia à
teus encantos
Faltava-me
o ar
Insistiam tuas curvas em me
torturar
Nos lábios eu te beijava
E com o corpo, te amava
Como ontem, demais
Para sempre ou nunca mais
Lentamente
a madrugada morria
E finalmente eu dizia
Que amo-te da cabeça
aos pés
Com toda força, da
forma que és
E com as mãos entrelaçadas
Nossa loucura era por fim
perdoada.
Autor:
Simply Angel
Que loucura é a vida
Que
loucura é a vida!
Turbilhão de sensações,
de existências
que se estiolam
lentas,
em inerte engano.
Vidas tão cinzentas!
Os sonhos desfeitos dia a
dia,
a renascer, límpidos
na mesma utopia.
Que loucura é a vida!
Onde
estamos nós?
Somos ou não somos?
Alacres gnomos,
nesta imensidão,
cada vez mais sós.
Nos abstraímos.
Vivemos?
Não. Só existimos!
Autor
Desconhecido
Loucos
Loucos beijos...
Enche-me de loucos beijos...
Em qualquer lugar...
Á luz do sol...
Num mergulho no mar...
Nas dunas...
Ou escondidos no
quarto...................
E o meu nome no espelho
escreve-o...
juntamente com amar....
Tomados
de loucura e de paixão
Em beijos tão calientes
e vorazes
Em mãos que se procuram
tão audazes
Mergulho no teu mar, a tentação
De
estar sempre ao teu lado,
sedução,
Pois sei que os meus desejos;
satisfazes
Além do que pensei
serem capazes
Os fogos que nos queimam,
emoção...
Beber
de teu vinhedo cada gole
Do vinho mavioso que se escorre
Depois deste prazer que não
tem fim...
Que
a sorte em tempestade nos
assole
Que a lua em nossa cama venha
e forre
De amor e de vontades, sempre
assim
Autor:
Marta Vinhais
À beira da loucura
Hoje
estou à beira da loucura;
Deixo os pés sentirem
a correnteza,
E há de se notar que
na leveza
Passo a ignorar a vida dura:
O amargor se torna em doçura
E no terror lampeja uma beleza.
Mas se restar em mim qualquer
tristeza,
Mergulharei de vez nessa loucura.
Autor Desconhecido
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