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Funeral
Blues
Pare
os relógios, cale o
telefone
Evite o latido do cão
com um osso
Emudeça o piano e que
o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão,
seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem
em círculos, gemendo
e que escrevam no céu
o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos
nos pescoços brancos
das pombas de rua
e que guardas de trânsito
usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul,
meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus
finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite,
minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era
eterno; estava errado
As estrelas não são
mais necessárias; apague-as
uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da
floresta
pois nada mais poderá
ser bom como antes era.
Autor:
H.W.Auden
Rotina
Isso
deve ser doença,
fiz de ti uma crença.
O que fazer?
Se tento esquecer,
tu teimas em permanecer.
Da mente tento apagar
o que este coração
insiste em guardar.
Como mostrar aos meus olhos,
que agora não passa
de abrolhos,
ilusionismo era o que ele
via
e o coração
pensava enxergar,
tuas palavras que eram magias.
Será que meu amor eram
orgias?
Não posso nisso acreditar,
pois meu olhar vive a te enxergar.
Se para o infinito tento olhar
vejo você em forma de
Lua,
em qualquer lugar que estiver
da rua.
Mas eu não mais quero
te enxergar
com a palma da mão
tento tampar
estes olhos que teimam te
olhar,
bem antes de cumprir sua missão
dois (M); é teu nome
esculpido na mão,
que jamais se apagarão.
Autor:
Renatinhu
A Arte da perda
Saber
perder é arte.
Aprendes a perder
Esta é a tua parte
É difícil apreender...
Perco
algo todo dia,
Já perdi uma cidade,
Um estado, casarios...
Aprendes não é
tarde...
Perder
é inevitável,
Mas a tua amizade,
O teu olhar amável...
A
emoção me invade...
Não posso conseguir,
Pra isso sou covarde...
Autor
Desconhecido
Teus passos
Estou aqui perdido em pensamentos
Enquanto, de repente, você
está sonhando com algo
que não posso prever
Dentro de mim há uma
vontade de estar longe
Longe do que se chama eu
E longe do que se chama você
Percebo
que estou só
Em meio a mil coisas que tenho
que saber
Dezenas delas dependem imensamente
de você
Por que aqui dentro, embora
eu tente esconder
Não existe razões
se eu não olhar a luz
que brilha de você
Perder
o que tenho é como
ser o infinito
Ser seu é o mais quero
E a luz não me deixa
ver o lugar
Por que o lugar é escuro
E mesmo que tudo em ti ilumine
O que há dentro de
mim ainda continua frio e
úmido
Os
teu olhos me ferem
Mesmo que me salvem as vezes
Só de ver teus passos
Fico preso em caminhos tão
livres
Não
posso fugir de você
Da mesma maneira como é
fácil você sumir
Dentro de teus passos encontro
tudo
E dentro dos meus olhos tudo
some
Perco o que não devo
perder
Mas não posso negar
que teus passos ainda me consomem
Autor:
Roberta
Perdas
Perdi as minhas chaves
E não posso entrar
em casa,
Lá dentro deixe o meu
dinheiro
Que preciso para viver.
Chamei os bombeiros
Mas eles nada fizeram,
Chamei um assaltante
Mas de nada me adiantou,
Por fim chamei um lenhador
Mas a porta não cedeu.
Foi então para a rua
Onde a minha vida se perdeu,
Ai tentei procurá-la
Mas não a encontrei
!
Então a morte segredou-me
Que eu não podia viver
sem vida,
Logo estava morto !!!
Autor:
Lord Guancestry
Pelo Amor Excedente
Pode ser que te perca em razão
das ausências;
que diluas o viço do
teu sentimento
e me queiras de fato à
distância e sem rosto;
renuncies ao gosto que sonega
o cheiro...
Mas te peço assim mesmo
que alongues a espera,
ponhas nessa esperança
um pouco mais de adubo,
não desbotes o rubro
da brasa em teu peito
nem a sã primavera
que a nevasca esconde...
Caso tenhas perdão,
por amor excedente,
lá na frente uma estrela
reserva o seu dom;
lado bom que nos resta e pode
ser pra sempre...
Saberei, entretanto, pagar
qualquer preço;
porei fundo no peito pra cobrir
o cheque
emitido ao teu xeque na hora
da conta...
Autor:
Demétrio Sena
Perda Persistente
A
dor sempre bate mais forte
O amor não consegue
consolar
Esta perda ainda me é
consorte
Nem o fino trato pode disfarçar
Amor de minha vida
Amor que ninguém pode
entender
Minha companhia amiga
Minha conversa sem palavras
é você
Filho meu, tal poesia não
escrita
Filho meu, que não
posso embalar
Eu, tua mãe, sinto-me
perdida
Eu, tua mãe, não
te quero mais amar
Pois me dói amar-te
sem tua presença
Em desespero clamo não
ter memória
Para não desejar morrer
com urgência
Para não ter mais a
vida em tal escória
Autor:
Cleo Felina
Ilusão de um Amor Esquecido
Meu
coração sofre
por te querer e não
te ter
Acumulando um sentimento em
mim repreendido
Querendo que tudo isso não
passasse de um sonho perdido
Para que essa dor em meu peito
fosse para sempre esquecido.
E
a cada dia te desejo mais
e mais
Sonhando ter o seu amor correspondido
Querendo te ter sempre do
meu lado
Fazendo com que você
fique sempre comigo.
Me
deixastes louco por você
E logo depois me abandonastes
Como se nada tivesse acontecido
E para sempre longe de mim
ficastes.
Não
guardarei mágoas de
você
E nem terei nenhum rancor
Mesmo por você ter me
largado
E deixar comigo essa grande
dor...
Autor:
Willy Alves
Cantares de Perda e Predileção
Eu amo Aquele que caminha
Antes do meu passo
É Deus e resiste.
Eu
amo a minha morada
A Terra triste.
É sofrida e finita
E sobrevive.
Eu
amo o Homem-luz
Que há em mim.
É poeira e paixão
E acredita.
Amo-te,
meu ódio-amor
Animal-Vida.
És caça e perseguidor
E recriaste a Poesia
Na minha Casa.
Vida da minha alma:
Um dia nossas sombras
Serão lagos, águas
Beirando
antiqüíssimos
telhados.
De argila e luz
Fosforescentes, magos,
Um tempo no depois
Seremos um só corpo
adolescente.
Eu estarei em ti
Transfixiada. Em mim
Teu corpo. Duas almas
Nômades, perenes
Texturadas de mútua
sedução.
Autor
Desconhecido
Com palavras te digo adeus
Com
palavras te digo adeus, meu
Amor...
Deixo os sentimentos escondidos,
Deixo os sorrisos guardados,
Sinto todos os sonhos perdidos.
Adeus, Amor... Valeu a pena!
Adeus, porque tudo teve um
fim.
Um dia o mar secou e eu
Cansei-me de esperar o teu
'sim'.
Vou embora. Para longe de
ti.
Longe do mundo que me fizeste
conhecer.
Outras conquistas árduas
me esperam...
Ainda tenho muito para crescer...
Se um dia, num longínquo
futuro
A minha vida, com a tua, se
cruzar
Olhemo-nos em silêncio
e pensemos
Se vale a pena voltar a amar.
Voo... As minhas asas levam-me
Rumo ao infinito, à
liberdade...
Não me vou agarrar
ao passado,
Porque isso só me trará
saudade.
Autor:
Claúdia Fernandes
Eu
preciso dizer adeus
Eu
preciso dizer adeus
Às paredes que grafitam
poesia
Do dia-a-dia das guias, das
agonias
Do asfalto frio que não
me vê
Na esquina da solidão
Da Consolação,
cão faminto
Tão sozinho
Eu
preciso dizer adeus
À fumaça das
fábricas, dos carros
No proibido das faixas neon
Ao lixo, aos escarros
Aos trincados telhados
Ao quartel, ao cartel, patrulha
Aos negros gatos
Eu
preciso dizer adeus
Aos prédios espelhados
Reflexos de mim, tempo molhado
À garoa da minha fé
retrô
Nos trilhos, no metrô,
à Praça da Sé
Aos ambulantes e andantes
sem café,
Pedantes, arrogantes elegantes
Eu
preciso dizer adeus
A toda gente que aqui não
tem lugar
Ao parque que eu também
corria
Que há poeira nas flores,
no ar
No descanso no Ibirapuera
Beijos no Arouche, carinho
fugaz
Carrinho de mão, verdura
e limão
Velho moço, velha lata...
idoso
Na casa papelão, na
escadaria
À gritaria, aos fumantes.
Droga!
Às Catedrais, ais.
Escadas rolantes, finos barbantes
Eu
preciso dizer adeus
À minha amiga Paulista
Que tem pista e sombra que
zomba
Nos spots e placas oportunistas
Dos trapezistas e alpinistas
Nas pernas de pau e sale
Preço da fantasia,
álcool e gasolina
Do tostão, da creolina,
fedentina, das Carolinas
Que perdi o passe e não
vejo qualquer estação
Ao portão do não
que arromba
Ao pedinte que ronda. Rapadura!
Eu
preciso dizer adeus
Ao gelado da contramão
Do 13 ou 23 de maios já
vãos
No sinal entoando vermelha
paixão
Sem ensaios, desmaios
Do palhaço, do cordel,
do cantador
Sem outdoor encantador
Eu
preciso dizer adeus
Aos réus, às
vitimas, aos fariseus,
Às chuvas de março
e aos ipês no breu
Jacarandás de aço
como eu
No barranco, furados pneus
Aos cartões picotados
e afanados
Eu
preciso dizer adeus
Aos pastéis, ao arroz
e feijão sem vaidade
Baião de dois, de mil
mornos e sem gás
À bandeira que agita
a cidade
Tremula no rubro e negro de
mim
Tremula... Tremula...
Nos carretéis dos andaimes
Nos motéis perfume
Eu
preciso dizer adeus
À arquitetura, às
abandonadas esculturas
À arte sem cor, só
dor demolição
À loucura da meia-noite
no corredor
Nos pontos de açoite
e chorinho
À candura do menino
vadio
Que vazio chora baixinho
No meio fio, no meio fio
Marginal, das marginais
Eu
preciso dizer adeus
Aos filhos meus e teus
Estou por um fio de lamento
Sem tua mão quente
Nas valas, nos rios, nas veias
Da realidade da cidade
Do meu coração
já doente
Eu
preciso dizer adeus
Às cabeças,
aos monumentos
Neste Imperial momento
Sem querer ter documento
Ser especial, espacial
Na nave de um Cometa
A me levar
À sorte, ao norte ou
morte
E na janela sem nada dizer...
A Deus... a Deus...
Que tudo é normal.
Eu
preciso dizer adeus
Adeus...
Autor:
Cíntia Thomé
Poema de Adeus
É melancólico
dizer adeus
a um grande amor,
é necessário,
às vezes,
resguardar o sentimento…,
aceitá-lo somente na
alma,
vibrando puras sensações.
É sempre sombrio dizer
adeus
a um amor inesquecível,
porém, por vezes é
imperioso
conservar o sentimento para
depois…,
abandoná-lo apenas
na lembrança,
momentos eternizados.
É
sofrido dizer adeus
a um amor singular de almas
gêmeas,
premente se faz, às
vezes,
abrigar o sentimento para
depois…,
renunciar,
deixá-lo adormecido…,
esperar renascer somente num
futuro,
quiçá distante.
É
muito triste saber
que é chegado o instante
de dizer adeus…,
guardar o sentimento para
depois…,
renunciar… para não
ferir e ser ferido,
desampará-lo quieto
para florescer em outro tempo,
momento certo de ser vivido,
livremente…
É
triste dizer adeus ao amor
eterno,
mesmo que por amor.
Adeus assim se equivale a
renúncia sublime,
a entregar o sentimento a
Deus
e esperar pelas luzes do futuro.
Autor:
Moacir Sader
Perda
da Poesia - Adeus
Rasgo a minha folha em branco..
Guardo a minha caneta..
E dispo a fantasia da poeta
que nunca fui..
Esqueço essa ilusão..
Que só fez machucar
meu coração..
Não vale a pena falar
de emoção..
As palavras já não
surgem..
Os versos são confusos..
Perdi-me no meu próprio
turbilhão de emoção..
Para que falar dos sonhos
desfeitos..
Ou daqueles sonhados..
Se meus versos são
tão criticados.
Por que falar das minhas flores..
Dos jardins que construí..
Se um vento forte tudo destruiu..
Por que tentar meus versos
dividir..
Se eles não são
compreendidos..
E sequer respondidos..
Não vou mais falar
do canto dos pássaros..
Que somente eu entendia..
Se até mesmo eles me
deixaram..
Para que falar de emoção..
Se todos me cobram a razão..
E pisam pelos delicados caminhos
do meu coração..
Para que falar de amor..
Se existe tanta dor..
Que trazem apenas lágrimas..
Nunca fui poeta..
Apenas quis transformar em
versos..
Aquilo que sente meu inocente
coração..
Não..não quero
mais..
Hoje digo adeus a poesia..
E guardo essa tola fantasia..
Autor:
Patricia Montenegro
Sem você...
Quiz muito encontrar um jeito
Pra falar do meu amor
De tanto buscar trejeitos
Falo agora desta dor
O
riso me falta agora
Não quero chorar mais
não !
Lembro e penso toda hora
Nem vale a explicação
Meus
segredos te contei
Meus desejos eram teus
Meu amor pra ti já
dei
Mas o teu, nunca foi meu
Corre
a lágrima, dói-me
o peito
Uma dor que não se
finda
Se quer o fim, eu aceito...
Mas te esquecer, não
sei ainda.
..." Passado um segundo
, já é tarde
"...
Autor:
Charlyane Mirielle
Cicatrizes
No
corpo, mormente, expomos
As marcas dos ferimentos,
Dos danos, fatais momentos,
Que, às vezes, vivenciamos.
Os machucados reais
Ou eventos inocentes,
Feridas inconseqüentes,
Sofrendo ou não, relembramos.
Mas
existe um tipo amargo
De marcas que vão ao
fundo,
São as tristezas do
mundo,
Injustiças que passamos,
São amores que perdemos
Ou nódoas da consciência
Quando nós, por negligência,
A outrem prejudicamos.
Nos
caminhos da existência,
Estas mais duras feridas
Calcadas em nossas vidas,
Que nos abalam a calma,
Formam tensas provações,
Calam mais forte na gente,
São os algozes da mente,
São cicatrizes da alma...
As
cicatrizes do corpo
Mais fáceis de controlar,
São passíveis
de operar
Ou de tê-las maquiadas...
Porém dores metafísicas
Difíceis de disfarçar,
Teimam em atormentar
As almas fragilizadas...
Essas
mágoas do espírito,
De um sofrer inconfundível,
Nem sempre me foi possível
Extirpar pelas raízes...
Então sigo meu caminho,
Longa estrada a percorrer,
Aprendendo
a conviver
Com as minhas cicatrizes...
Autor:
Oriza Martins
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