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Solidão
da Lua
Hoje
na solidão da lua...
Eu ando toda nua...
Neste corredor...
Na
solidão da lua...
Num lençol de seda...
Venha me amar...
Nesta
lua cheia...
Seu clarão tão
belo...
E eu aqui sozinha...
Neste corredor...
Na
solidão da lua...
Meu pensamento voa...
Tento te buscar...
Na
solidão da lua...
Eu ando toda nua...
Tentando te amar...
Na
solidão da lua...
Somos eu e ela ...
Neste corredor...
Autor:
Vania Staggemeier
Sem Remédio
Aqueles que me
tem muito amor
Não sabem o que
sinto e o que sou
.Não sabem que
passou, um dia,
a Dor
À minha porta e,
nesse dia, entrou.
E é desde então
que eu sinto este
pavor,
Este frio que
anda em mim,
e que gelou
O que de bom me
deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei
por onde ando e
onde vou!
Sinto os passos da
Dor, essa cadência
Que é já tortura
infinda, que é
demência!
Que é já vontade
doida de gritar!
E é sempre a
mesma mágoa,
o mesmo tédio,
A mesma angústia
funda, sem remédio,
Andando atrás
de mim, sem me
largar!
Autor:
Florbela Espanca
Vazio
Eu
com os outros
Eu sem mim ,
Assim ...
Eu para os outros
Ninguém para mim ,
Assim ...
Desse modo chego a pensar
Que a vida chegou ao fim ,
Assim ...
Pra mim
Eu sem mim !...
Autor:
Mena Moreira
Solidão Amiga
A
solidão é minha
arma letal e arrojada
contra as insistentes figuras
sádicas,
que me batem à porta
e invadem a alma.
É um aconchego doce
em que ouço minha voz,
esparsa e única, a
ressoar em meu universo.
Ecoa nas cavernas lúbricas
do meu pensamento,
trazendo lume asséptico
aos meus pesadelos !
Solidão amiga, escultura
"cult" do meu interior
és a minha arma, a
minha defesa
neste mundo sem justiça
ou compaixão.
O
meu poço imaginário
onde guardo todas as memórias.
Minha solidão que me
faz refletir e agir
segundo as circunstâncias
que me são apresentadas.
Solidão, solidão
como consegues viver
sem a presença de um
outrém ?!
Elisa
Maria Gasparini Torres
Desperdício
Solidão,
não te mereço,
pois que te consumo em vão.
Sabendo-te embora o preço,
calco teu ouro no chão.
Autor:
Carlos Drummond de Andrade
Os Instantes Superiores da
Alma
Os
instantes Superiores da Alma
Acontecem-lhe - na solidão
-
Quando o amigo - e a ocasião
Terrena
Se retiram para muito longe
-
Ou
quando - Ela Própria
- subiu
A um plano tão alto
Para Reconhecer menos
Do que a sua Omnipotência
-
Essa
Abolição Mortal
É rara - mas tão
bela
Como Aparição
- sujeita
A um Ar Absoluto -
Revelação
da Eternidade
Aos seus favoritos - bem poucos
-
A Gigantesca substância
Da Imortalidade
Autor:
Emily Dickinson
Solidão
Estás
todo em ti, mar, e, todavia,
como sem ti estás,
que solitário,
que distante, sempre, de ti
mesmo!
Aberto
em mil feridas, cada instante,
qual minha fronte,
tuas ondas, como os meus pensamentos,
vão e vêm, vão
e vêm,
beijando-se, afastando-se,
num eterno conhecer-se,
mar, e desconhecer-se.
És
tu e não o sabes,
pulsa-te o coração
e não o sente...
Que plenitude de solidão,
mar solitário!
Autor:
Juan Ramón Jiménez
À Solidão
Solidão
coroada de rosas, quem pudera
aprisionar teu corpo de sol
e de harmonia;
estar dentro de ti toda esta
primavera
de sangue, e folhas secas
e de melancolia!
Que
palpitasse, em sonho, teu
coração sonoro
sobre o meu coração
sequioso de ideais;
minha palavra fosse uma palavra
de ouro
de teus inesgotáveis
e puros mananciais!
Ai!
Quem, iluminando a sombra
alucinada
que de espinhos coroa minha
pálida tristeza,
pudesse ser teu amor, oh deusa
coroada
de rosas, solidão,
— tu que és mãe
da beleza!
Autor:
Juan Ramón Jiménez
Na
companhia da madrugada
Na madrugada fria,
Vestindo solidão.
Momentos eternos!
Parece que nunca passarão
No banco da praça
No sereno da noite
Na companhia da lua,
Ao brilho das estrelas...
Saio a te procurar
Pelas ruas da cidade
Sem te encontrar
E correndo ao vento
Que pra mim assovia
Meus cabelos balançam
E me faz companhia
Companhia fria,
Nesta noite vazia...
Autor:
Claudia Liz
Solidão
Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus
panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso
Esta
deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio
É
então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas
tuas costas
guiando-me por corredores
infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou
Mas
os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna
Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo
Autor:
Mia Couto
Lembranças e Solidão
A maciez dos lençóis
da cama
Onde eu ti amava, ficaram
guardados...
Na textura sensual de minha
pele.
O perfume que do seu corpo
exalava,
Foi penetrando lentamente
em meus poros...
Que quando umedecido pela
saudade de você
Transforma-se em essência
outra vez.
O batom vermelho que adocicava
a sua boca
Ficou levemente tatuado em
meu pescoço,
O sorriso malicioso estampado
no seu rosto
Contrastava com o meu olhar
meigo e maroto
Apreciando seus mamilos suculentos
como dois tremoços.
Assim a noite vai passando
e em minha mente só
recordação,
Um tremor súbito toma
de assalto o meu sofrido coração,
E na penumbra solitária
do meu quarto,
Sinto o calor do seu corpo
e uma gostosa sensação
Que traz a tona em minhas
lembranças
Aqueles momentos de muito
amor e paixão.
Jose
Aparecido Botacini
Silêncio Manifesto
Vem
noite, madrugada
Meu medo solidão
Clama teu nome,
Nada de ti manifesto,
Ao lado dor, longe afeto...
Acostumar- se com teu silêncio
Só a morte,
Estirpados desejos,
Carinhos distantes...
Sofrimento, renúncias
Alegrias vividas
Meu Deus,
Por onde andas,
Por
que tu não me chamas...
A lua vem, proclama
Tertúlias, invocações
A Dama da Noite cruel,
Invade minha insônia
Trazendo nada além
do leito,
Lâmina ceifando metades,
Nossas almas,
Esperança saudade
Nosso antigo chão
William
José Carlos Marmonti
Solidão
A
solidão é como
uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro
das noites;
de planícies distantes
e remotas
sobe ao céu, que sempre
a guarda.
E do céu tomba sobre
a cidade.
Cai
como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se
voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada
encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos
na mesma cama:
então,
a solidão vai com os
rios...
Autor: Rainer Maria Rilke
Soneto do refúgio
Em dias de penumbra, eu me
escondo
No primeiro verso da última
estrofe
E os meus escritos, de homem
que sofre
Revelam-se autênticos
poemas de assombro.
E
na frieza deste azar, eu apenas
me lanço
Ao caldeirão borbulhante
da sorte requentada
Pois a sorte mais fresca sempre
está guardada
No salão dos felizardos
onde eu sempre danço.
Mas
não me entristeço
mais. Não quero!
Vou me revelar autêntico
re-criador
Deixe que os versos me alimentem...
Estou
aqui, dentro de mim, e não
espero
Sair pra lugar algum, pois
meu maior temor
É o de deixar que os
outros me reinventem...
Autor:
Rodrigo Ferreira Santos
O Solitário
Como
alguém que por mares
desconhecidos viajou,
assim sou eu entre os que
nunca deixaram a sua pátria;
os dias cheios estão
sobre as suas mesas
mas para mim a distância
é puro sonho.
Penetra
profundamente no meu rosto
um mundo,
tão desabitado talvez
como uma lua;
mas eles não deixam
um único pensamento
só,
e todas as suas palavras são
habitadas.
As
coisas que de longe trouxe
comigo
parecem muito raras, comparadas
com as suas —:
na sua vasta pátria
são feras,
aqui sustém a respiração,
por vergonha.
Autor:
Rainer Maria Rilke
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