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Cansaço
O cansaço, este cansaço
Que nos invade os ossos,
Transforma as tentativas de
vida
Um aglomerado de destroços
O
cansaço que nos penetra,
Nos infecta cada desejo de
saída.
A porta que atrai é
secreta,
Cada acto é uma recidiva.
O
cansaço de nada vermos,
Tudo é passado, tudo
é visto,
Para além do que já
sabemos;
Novidade é bem que
é arisco.
O
cansaço que nos entristece;
Cada momento uma desilusão;
Em cada dia mais nos arrefece
A procura da desejada sensação.
O
cansaço que nos investe,
O cansaço que nos toma,
Até que da esperança
nada reste,
Nem nesta nem noutra forma.
O
cansaço, este grande
cansaço,
Que nos leva a desistir de
nós,
Que nos leva a procurar um
regaço,
Um, em que não nos
sintamos sós.
O
cansaço de nada ser
solução,
O cansaço de tudo ser
inútil,
Uma procura quase sem razão,
Cada ressurgimento é
coisa fútil.
O
cansaço de agora escrever,
O cansaço da tentativa
proscrita,
O cansaço de procurar
obter,
Minha alma no prazer da escrita.
Autor:
António Viana
Tempestade
Veio
a tempestade e levou o que
parecia ser verdade.
Nada mais restou do amor que
um dia nos fez viver,
Felizes pensando em um novo
amanhecer.
Hoje as noites são
longas sem você aqui
comigo
E com certeza a vida terá
outro grande sentido.
Amar
tem que ser calmaria no peito
e na alma.
Onde existe intrigas nele
tudo se acaba
Egoísmo no amor não
leva adiante
Se o respeito feneceu nada
mais será como antes.
Tentar renovar a cada dia
o perdido
É como se amargar a
vida para o nada acontecido.
Melhor assim findar e pensar
em um novo amor ter,
Se a vida quiser me dar....
pois tenho capacidade para
amar.
Autor
Desconhecido
De tudo
De
tudo, o mais difícil;
Foi assumir a minha dor.
Querer curar o meu vício;
Entender o fim do amor.
Mesmo
embora eu sorrisse;
Escondendo o meu rancor.
E aplicasse nova droga a minha
crise;
Dando ao rosto outra cor.
Não
se finge eternamente;
Pois a verdade sempre revela;
O que nos atordoa a mente;
E o que o tempo não
supera.
De
tudo, depois disso;
Ficou o peito tão dormente.
Na ânsia de ter um ombro
amigo;
Vivendo só o de repente.
Autor
Desconhecido
Magoas sem querer magoar
Custa acolher o tempo
Que no mais ténue segundo
Pode originar um sentimento
E fazer-te o meu mundo
Que
no mesmo limite
Suga todo o meu ser
E o meu corpo te transmite
Breves instantes de prazer
Custa
ser recusado
Quando se deseja o universo
Custa estar apaixonado
E reflectir-se o inverso
Quanto
mais me distâncio
Mais te sinto a amar
Dizes não e sinto frio
Magoas sem querer magoar.
Autor:
José Correia
Não
quero mais Poesia
Cansei de virar-me do avesso!
De suspirar pelos campos da
calma
De chorar e de ilusões
enchi minh'alma
Não quero mais poesia
ao meu redor!
Nem quero troféus de
ouro!
Nas estrofes insistentes de
cada dia
Do olhar que misturei à
poeira fria
Quando queimei de febre terçã;
Não quero mais viver
nessa estrada
Onde me cospem nos olhos sem
ter nada
Que me traga os momentos de
saudade
Bebo a vaidade do mundo em
longos tragos
Enxugando meu orvalho frio,
me embriago
E saio desnuda sem o mal!
Autor
Desconhecido
Renascer
Em cada manhã que nasce,
Olho para os montes,
Lá longe…
Sei que no seu desabrochar,
Haverá um outro desabrochar
E, haverá uma flor
Mais bela e significativa.
Em cada pôr-do-sol,
Vai haver um outro nascer.
Em cada ave que voa e morre,
Vai existir outra igual
Que voará da mesma
maneira.
Só que no nosso amor,
Não haverá igualdades
Porque um amor
Não pode dar lugar
a outro igual,
Só por se ter perdido.
Autor:
Ana Gonçalves
Morte
A
morte uma estrada certa
com a porta sempre aberta
Único caminho entre
os atalhos
dessa vida feita de retalhos
A
morte desdenha a gente
no jogo, acaso ou sorte
nos trilhos sobre os dormentes
do trem com destino à
morte
A
morte não tem piedade
velhos e novos, a todos mata
Crianças em tenra idade
A morte, as vezes é
ingrata
Sei
que havemos de morrer
e com a morte ter um dia
mas que fosse em noite de
folia
ou depois de adormecer
Que
viesse linda e serena
com perfumes de verbena
e não soberba e garbosa
com ares de poderosa!
Autor:
Menina do Rio
Querer
e não poder...
Gostava de poder escrever
tudo o que vai dentro de mim
a tristeza por um inocente
morrer
nestes conflitos sem fim
a fome que alguns povos passam
quando outros vivem em palácios
de marfím
grandes manjares devastam
com esta revolta tenho que
viver
quase me sinto culpado
quando alguém inocente
vejo sofrer
sou apenas um simples poeta
para a fome acabar nada pesso
fazer
Acorrentado á minha
liberdade
gostava que todos tivessem
que comer.
Autor
Desconhecido
Neste
jeito...
Neste jeito manso
Que é só meu...
Nostálgica
Lancei os olhos para o céu
À procura da minha
estrela
Do sol
Da lua
E de tudo o que ilumina este
coração.
Nesta máscara neutral
Onde escondo as escoriações
que me dilaceram
Rasgo os vastos véus
Onde me cubro.
Só, nesta minha prisão
De sentimentos e loucuras
Procuro uma noite e um dia
de brandura
E esperançada
Corro nesta loucura
Ao querer o milagre esperado.
Subtilmente, rogo...
Não te esqueças
de mim.
Sou filha da paz
Sei do que sou capaz!
Trás um pouco de brisa
Para refrescar os meus sentidos
Que andam, tão entorpecidos
E perdidos!
Autor Desconhecido
Minhas Dores
Oh,
dores!
Por que me envolvem?
Como repugnantes vermes que
lentamente....
Em meu peito se locomovem...
Dores
traiçoeiras...
Que por muitas vezes..
Deixam-me sem eiras e nem
beiras...
Dores
que trás em angustioso
peito...
Uma imensa dor...
Quando se diz...
“Já não
tem mais jeito”.
Dores
que não se findam...
Nas dolorosas noites...
Que jamais terminam...
Oh,
dores mostrai-me agora...
Vossos valores...
Ai de mim!
Se for escravo dos vossos
rancores...
Oh,
dores, afastai de mim!
Sei que as dores que doem
cessarão..
Quando forem curadas por uma
só palavra..
- Perdão!
Autor
Desconhecido
Trem
Um,
dois, um, dois...
Segue o trem correndo pelos
férreos trilhos dilatados.
E como ele corre, e como ele
ruge...
Meu
coração acompanha
o motor da máquina
férrea,
E vou levando a vida nesse
embalo.
Um,
dois, um, dois...
O trem está chegando
ao seu destino...
Um, dois... um...
O trem está parando.
Um...
dois... um...
O ritmo diminui, agora.
Um...
O trem para,
E eu...
nunca mais voltarei
Autor:
Anderson C. Costa
Já parti
Eu sempre estive naqueles
raios
De sol que te acordavam de
mansinho
Sempre fui aquela chuva míudinha
Que te molhava a pele pelo
caminho
Estive
sempre nos pássaros
que cantavam
Cada vez que tu passavas ao
lado
Ou nas joaninhas que em ti
pousavam
Para depois ser bruscamente
afastado...
Fechavas
as janelas para eu não
te acordar
E o guarda-chuva fazia de
ti tão ruim...
Nem nunca reparaste nos pássaros
a cantar
Pedindo desesperadamente para
olhares para mim
Mesmo
que os pássaros cantem
de alegria
O sol brilhe, e joaninhas
pousem em ti
Mesmo que deixes a chuva molhar-te
um dia
Não penses que sou
eu.Já não sou.Já
parti.
Autor:
José Correia
Ironia
Escapam-se-me
gritos
Disfarçados em lágrimas,
Saem-me esgares aflitos
Das rosas que não dei.
Levo com as chapadas,
As que não levei,
Que esmagam as flores
Com que fiquei!
Pétalas pesadas,
Regadas a chumbo,
Maceradas no medo profundo
De vir a chorar
O choro
Com que fiquei!
Autor:
António Viana
Acalento
a morte e a vida
Morro, insisto em morrer e
em reerguer
Este corpo cheio de dúvidas,
medos e segredos irreveláveis
Morro,
cada vez que amanheço
E estremeço
Só de pensar que o
dia permite mais um lampejar
Mais um pestanejar,
Mais um bracejar de asas retorcidas
Morro,
na noite que me engole
Que desfaz minha presença
Que dilui minhas palavras
Num mar de sargaços
Frívolo de abraços
Morro,
depois de embater contra a
indiferença
Depois de esgotar a razão
Depois… depois choro
e grito murmúrios mudos
Acalentados pela loucura
De que nada temos a perder…em
viver
Autor:
Homines sumus
Cansei
Cansei,
Tudo pelo que lutei
Está a cair
Tudo o que pude construir
Está agora a derrocar
E não há muito
que possa fazer para o evitar
Já
esperava que isto fosse acontecer
Mas nunca pensei ter de o
dizer
Está na hora de seguir
Para mais ninguém ferir
Está na hora da partida
E talvez um dia consiga
Os bons momentos recordar
E contigo voltar a estar
Sigo
o meu caminho
Tal como havia chegado ao
meu destino
Sozinho
Mas com mais carinho
Do que a ultima chegada
E com mais momentos para a
longa caminhada
Para
sempre ficará este
local
Onde muito correu bem mas
também mal
O sitio que não da
para não recordar
Sem um sorriso expressar
E com uma lágrima a
escorrer
Portanto te querer ter
Faço-me,
então, ao mar
Mas em nós vou a pensar
Custa tudo deixar
Mas isto tem de mudar!
E quanto a ti…
Tudo senti
Mas parto com o sentimento
de te amar
E que de ti sempre irei gostar.
Autor
Desconhecido
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